Durante anos os
direitos de transmissão de diversos eventos esportivos eram controlados pela
rede Globo, mas eis que a Record obteve os direitos exclusivos dos jogos
olímpicos em Londres e obtém o monopólio da informação, decidiu, portanto, não vender
quotas para outros canais abertos, exceção grupo GLOBOSAT de canais fechados, e
ao portal Terra. Muitos têm pensado que é um castigo justo aos herdeiros de
Roberto Marinho, até pelo fato da emissora não agir de maneira diferente; sempre
agiu de modo similar, ou até pior, no que se refere ao repasse dos direitos
para os outros canais abertos.
A face sórdida por trás desse jogo com a
informação, e que é necessário dizer, envolve cifras exorbitantes - a rede
Record adquiriu os direitos exclusivos pela bagatela de 60 milhões de dólares,
na edição anterior em Pequim os direitos foram adquirido pela quantia de 12 milhões. Esse aumento exponencial inviabilizou uma contraproposta, até esse ponto nada ilícito,
o problema é que desde o momento em que os direitos de transmissão foram
conquistados já estava decidido que não seriam revendidos a qualquer outra rede
aberta, e isso, (ideologicamente falando) é o descompromisso com a democratização da informação.
O público não poder escolher por que meio
obter informação é absurdo. Aos que rápido vão dizer da impossibilidade da
desinformação em decorrência da internet, no entanto isso é falsa impressão de
acesso livre e ilimitado para todos, ignorando o fato do controle corporativo,
isto é, os grandes portais de notícias já fazem parte das emissoras de
televisão. Além disso, considerando os
números do IBOPE, possuem acesso a TV por assinatura um pouco mais 3 milhões de lares,
enquanto a rede aberta alcança 60 milhões de unidades habitacionais.
Marshall Mcluhan
defende que o meio é a mensagem, há certo equívoco nessa afirmação transportando para esse caso, pois as Olimpíadas
não vão ser menos importante para os brasileiros porque o veículo de maior
prestígio e audiência do país não cobre o evento, e se limita a não fazer uma
cobertura jornalística aprofundada no intuito de não beneficiar seu concorrente.
Isso não significa, entretanto, que uma emissora apenas cobrindo o evento em represália
a um poder midiático descarado ao longo dos anos seja correto.
O que ilustra
bem o confronto Globo X Record é a frase: Em uma luta entre dois elefantes o mais
prejudicado é o solo. A única forma de
combater o monopólio da informação seria criação de uma legislação pelo
poder público, que prevê distribuição
quotas para redes abertas, obrigando os detentores dos direitos a repassarem partes
significativas do evento, pois se isso não acontecer à guerra por audiência vai
elevar cada vez mais o custo dos direitos de transmissão, ficaremos sujeitos a
coberturas unilaterais. A exclusividade gera exclusão, direciona a nossa visão
apenas sobre uma ótica nem sempre nos conduzirá pela verdade.
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