Outro dia morreram 73 pessoas em estádio egípcio, sem contar dezenas de feridos no episódio, grande parte da Europa sofre com a estupidez dos hooligans, nossos hermanos argentinos com os “Barra brava" - têm uma média de um óbito a cada três meses. Não muito diferente é aqui no território nacional, não raro se mata e se morre por futebol.
Para quem acha que violência é exclusividade das zonas periféricas do mundo e dos países emergentes, saiba, porém, que segundo Instituto para a Economia e a Paz (IEP, na sigla em inglês) Cuba, Brasil e a China são países mais pacíficos que os Estados Unidos. Os EUA estão em 85º lugar, abaixo de Cuba (72º lugar), da Argentina (71º), do Brasil (83º) e da China (80º) e apenas uma classificação acima de Angola (86º lugar). A violência não é um fato isolado, ela é real, e está em todas as partes.
Por isso meus amigos se algum fato como o ocorrido de hoje (22/02/12) na apuração do sambódromo servir de motivo para você criticar a essência do brasileiro e a validade do carnaval, faça isso com senso crítico, não reproduza preconceitos, ou pior não queira parecer “culto” defendendo o fim do carnaval, pois uma pessoa minimamente sensata defenderia que fosse uma festa mais civilizada e retornasse ao caráter popular como costumava ser.
As mortes nas estradas por conta do feriado prolongado, a banalização do sexo, a diminuição da produção industrial, todos esses argumentos são pertinentes, no entanto essas coisas são expressas e continuadas no decorrer do ano, pois uma boa definição do brasileiro é a defendida por Nelson Rodrigues “O brasileiro é um feriado”, isso possui um lado bom e também um lado ruim...
O carnaval brasileiro serve inegavelmente como criação do estereótipo projetado pelos estrangeiros, no entanto não faz sentido nós compartilharmos essa mesma imagem para nós, e com isso ingerimos inferioridade diante de uma visão hegemônica ao nosso respeito, porque isso acarreta o desapreço pelo país.
A mesma visão contrária ao carnaval é defendida pelos próprios setores da sociedade que mais usufruem do mesmo, posto que o carnaval torna-se cada vez mais caro no que se refere aos desfiles apoteóticos dos sambódromos RJ-SP. Possui sim verdadeiro apelo popular significativo concentrado no nordeste, mas os moradores da região sudeste, centro oeste, sul, e Norte, não vivem o carnaval com tanta onipresença como se possa imaginar também isso não seria fácil de conceber dado o tamanho continental do Brasil.
Em resumo esse não é um post favorável ao carnaval, meu objetivo aqui é combater o senso comum e complexo de inferioridade emanado por quem fala mal da ocasião, e atribui todos os males do país sendo concernente aos quatro dias de folia, esse que aqui vos fala acredita que os problemas políticos e sociais do Brasil não vão ser resolvidos com o fim do carnaval, posto que seja melhor buscar aprimorar coisas existentes para diminuir os problemas, do que simplesmente destruir uma grande tradição cultural.
