sexta-feira, 27 de julho de 2012

Monopólio da informação



     Durante anos os direitos de transmissão de diversos eventos esportivos eram controlados pela rede Globo, mas eis que a Record obteve os direitos exclusivos dos jogos olímpicos em Londres e obtém o monopólio da informação, decidiu, portanto, não vender quotas para outros canais abertos, exceção grupo GLOBOSAT de canais fechados, e ao portal Terra. Muitos têm pensado que é um castigo justo aos herdeiros de Roberto Marinho, até pelo fato da emissora não agir de maneira diferente; sempre agiu de modo similar, ou até pior, no que se refere ao repasse dos direitos para os outros canais abertos.  
      A face sórdida por trás desse jogo com a informação, e que é necessário dizer, envolve cifras exorbitantes - a rede Record adquiriu os direitos exclusivos pela bagatela de 60 milhões de dólares, na edição anterior em Pequim os direitos foram adquirido pela quantia de 12 milhões. Esse aumento exponencial inviabilizou uma contraproposta, até esse ponto nada ilícito, o problema é que desde o momento em que os direitos de transmissão foram conquistados já estava decidido que não seriam revendidos a qualquer outra rede aberta, e isso, (ideologicamente falando) é o descompromisso com a democratização da informação.
      O público não poder escolher por que meio obter informação é absurdo. Aos que rápido vão dizer da impossibilidade da desinformação em decorrência da internet, no entanto isso é falsa impressão de acesso livre e ilimitado para todos, ignorando o fato do controle corporativo, isto é, os grandes portais de notícias já fazem parte das emissoras de televisão.  Além disso, considerando os números do IBOPE, possuem acesso a TV por assinatura um pouco mais 3 milhões de lares, enquanto a rede aberta alcança 60 milhões de unidades habitacionais.
     Marshall Mcluhan defende que o meio é a mensagem, há certo equívoco nessa afirmação transportando para esse caso, pois as Olimpíadas não vão ser menos importante para os brasileiros porque o veículo de maior prestígio e audiência do país não cobre o evento, e se limita a não fazer uma cobertura jornalística aprofundada no intuito de não beneficiar seu concorrente. Isso não significa, entretanto, que uma emissora apenas cobrindo o evento em represália a um poder midiático descarado ao longo dos anos seja correto.

       O que ilustra bem o confronto Globo X Record é a frase: Em uma luta entre dois elefantes o mais prejudicado é o solo.  A única forma de combater o monopólio da informação seria criação de uma legislação pelo poder  público, que prevê distribuição quotas para redes abertas, obrigando os detentores dos direitos a repassarem partes significativas do evento, pois se isso não acontecer à guerra por audiência vai elevar cada vez mais o custo dos direitos de transmissão, ficaremos sujeitos a coberturas unilaterais. A exclusividade gera exclusão, direciona a nossa visão apenas sobre uma ótica nem sempre nos conduzirá pela verdade. 

segunda-feira, 9 de abril de 2012


    Longe se vai sonhando demais,
  e até à lua chegar é capaz!




                                                                      Geoges Méliès

terça-feira, 27 de março de 2012

Bêbado

Cerveja bem Campari as coisas

A vida dá muitas Vodkas 
Andava triste Kaiser desmaiando
E já com 51
Encontrou uma Caipirinha


Foi um amor água ardente
Heineken é de heineken



Conhaque no lugar
 Agora Absinto fortes sentimentos
Não sei de onde vinho
Viajei para Antárctica
Mas queria uma Cuba livre
Cabe em um copo o mundo todo
Cirrose lavando todas as dores.

terça-feira, 6 de março de 2012

Espuma e canutilho


Homens e mulheres enfileirados
Todos cobrados por resultados
Inócuo destino?
Cada  um no seu posto
Seja por gosto ou desgosto

O desespero ligou para você
Ele esperou uma hora ou mais
Conserta, informa, resolve
Mas  nada é o bastante
Sua angústia é medida a cada instante

Aperta um botão para que ninguém te ouça
Grite um palavrão de raiva
 Percebe uma parte sã está indo embora
Não temos nomes agora

Seres de sistema e produtividade
Terceiros terceirizados engessados
Americano ligou  e foi atendido em Délhi
 Atendente fala com desenvoltura...


Sobre o produto;
 Nunca viu
Nunca tocou
Nunca irá tê-lo

   O produto é três vezes maior que o salário do funcionário 
O produto vale mais e a empresa mais-valia
Mais valia sofrer menos
Se no ouvido espuma carregasse sangue
Se o canutilho cortasse a garganta
O atendente voltaria a ser humano novamente!





terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Violência e carnaval – Senso comum banal

    Outro dia morreram 73 pessoas em estádio egípcio, sem contar dezenas de feridos no episódio, grande parte da Europa sofre com a estupidez dos hooligans, nossos hermanos argentinos com os “Barra brava" - têm uma média de um óbito a cada três meses. Não muito diferente é aqui no território nacional, não raro se mata e se morre por futebol.
      Para quem acha que violência é exclusividade das zonas periféricas do mundo e dos países emergentes, saiba, porém, que segundo Instituto para a Economia e a Paz (IEP, na sigla em inglês) Cuba, Brasil e a China são países mais pacíficos que os Estados Unidos.  Os EUA estão em 85º lugar, abaixo de Cuba (72º lugar), da Argentina (71º), do Brasil (83º) e da China (80º) e apenas uma classificação acima de Angola (86º lugar). A violência não é um fato isolado, ela é real, e está em todas as partes. 
       Por isso meus amigos se algum fato como o ocorrido de hoje (22/02/12) na apuração do sambódromo servir de motivo para você criticar a essência do brasileiro e a validade do carnaval, faça isso com senso crítico, não reproduza preconceitos, ou pior não queira parecer “culto” defendendo o fim do carnaval, pois uma pessoa minimamente sensata defenderia que fosse uma festa mais civilizada e retornasse ao caráter popular como costumava ser. 
    As mortes nas estradas por conta do feriado prolongado, a banalização do sexo, a diminuição da produção industrial, todos esses argumentos são pertinentes, no entanto essas coisas são expressas e continuadas no decorrer do ano, pois uma boa definição do brasileiro é a defendida por Nelson Rodrigues “O brasileiro é um feriado”, isso possui um lado bom e também um lado ruim...
       O carnaval brasileiro serve inegavelmente como criação do estereótipo projetado pelos estrangeiros, no entanto não faz sentido nós compartilharmos essa mesma imagem para nós, e com isso ingerimos inferioridade diante de uma visão hegemônica ao nosso respeito, porque isso acarreta o desapreço pelo país.
     A mesma visão contrária ao carnaval é defendida pelos próprios setores da sociedade que mais usufruem do mesmo, posto que o carnaval torna-se cada vez mais caro no que se refere aos desfiles apoteóticos dos sambódromos RJ-SP.  Possui sim verdadeiro apelo popular significativo concentrado no nordeste, mas os moradores da região sudeste, centro oeste, sul, e Norte, não vivem o carnaval com tanta onipresença como se possa imaginar também isso não seria fácil de conceber dado o tamanho continental do Brasil.
     Em resumo esse não é um post favorável ao carnaval, meu objetivo aqui é combater o senso comum e complexo de inferioridade emanado por quem fala mal da ocasião, e atribui todos os males do país sendo concernente aos quatro dias de folia, esse que aqui vos fala acredita que os problemas políticos e sociais do Brasil não vão ser resolvidos com o fim do carnaval, posto que seja melhor buscar aprimorar coisas existentes para diminuir os problemas, do que simplesmente destruir uma grande tradição cultural.