domingo, 15 de maio de 2011

O Discurso Da Fome


   Os famintos pedem a palavra, eles que não tem voz apenas sofrem em silêncio:            
          
      O discurso deve ser reafirmado, mais importante salientar de sua contrapartida contra a crença dogmática vegetariana e apatia do pragmatismo neoliberal indiferente por quem tem fome. Essas duas coisas somadas Acarretam na defesa do aclamado desenvolvimento sustentável, mas desproblematizado nos induz a ignorar problemas gravíssimos de ordem mundial. Por isso a crítica a esses valores pregados como verdade absoluta, não é um desejo crítico de modificação macro-estrutural, passa por um falso engajamento e uma falsa ruptura com o capitalismo e a sociedade de consumo.
          Os argumentos que favorecem a manutenção dessa ideologia até certa medida são louváveis, por isso eles devem ser avaliados e repensados pelas políticas de desenvolvimento do Estado. São situações decorrentes de uma forma equivocada de explorar os recursos naturais isso não há quem questione, situações como, por exemplo, a manutenção de grandes rebanhos bovinos causando muitos impactos como emissão de gás co2 e o desmatamento de grandes áreas florestais para criação de pasto (Amazônia é um bom exemplo dessa situação). Além disso, uma das principais bandeiras do vegetarianismo é à defesa dos animais, posto à maneira de abatimento esbanjar crueldade em diversas circunstâncias.
                 Mas o homo sapiens chegou ao nível de desenvolvimento intelectual graças ao consumo de proteína proveniente da carne nossa “seleção natural” exigiu que para sobrevivermos nossos ancestrais tivessem que comer carne, se por ventura alguém não o conseguisse acabava sendo vitimado pela fraqueza e sucumbia diante do meio. Então imaginem aquelas crianças do semi-árido nordestino ou da áfrica subsaariana, raquíticas ao extremo se tivessem a “dádiva” de comer um mísero pedaço de carne o que isso representaria em suas vidas. O que irrita no discurso vegetariano não é a defesa dos animais, tampouco o argumento da melhora da saúde, mas o discurso planfetário desvinculado de contexto econômico.
                Não se vê o faminto vegetariano, quem o é quer transparecer ser “cool”, como se fosse à última moda, e quase mais xiita que um homem bomba desdenha os infiéis comedores de carne, muitos desses apenas a comem com a mesma humildade de quem come o pão da subsistência. No entanto o ortodoxo anti-carne segue repugnando o restante da civilização. Por que eles não são tão ávidos criticando a sociedade do consumo, os grandes conglomerados de “fast food”  e os efeitos da globalização das desigualdades  no mundo?
              Faço valer da temática da fome, pois dizem que é cruel um ser fazer parte de uma cadeia alimentar e usufruir outro animal é algo vil, certo, mas muito pior é deixar seus semelhantes morrerem por não ter natureza alguma de alimento, quem prega a verdade sem ter a mínima noção do que isso implica, desprezando contextos culturais se furtando da realidade para pregar sua moral distorcida perde a validade do seu discurso. A “religião” vegetariana não é necessária tampouco sua doutrinação.
              O impacto radical do mundo vegetariano acarretaria na nova agricultura para atender à nova demanda, o aumento de alimentos transgênicos e usos agrotóxicos para acelerar a produção em escala global, uma vez que não se mudam hábitos culturais sem gerar grandes modificações econômicas e sociais, e, por conseguinte nos meios de produção e nos hábitos de consumo.
             Sem mencionar a ascensão de novos problemas provenientes dessa mudança; o acirramento das disputas por terras produtivas, o desgaste dos solos agrícolas, e aumento de doenças como o câncer, pois os hábitos alimentares e condições ambientais todos estes fatores aumentam o risco de uma pessoa desenvolver a doença, e a fome ainda continuaria sendo protagonista nos países pobres.
              O fato de ter encontrado um jeito melhor de me alimentar e de bem estar não significa que ele deve ser didaticamente propagado e assimilado por todos, os abusos devem ser combatidos de fato, o que não pode se perder jamais o é a o espírito de solidariedade e de mundo real e desmitificado. O mundo sem fome é mais viável e fraterno que o mundo “verde” que não resolverá problemas seculares, muito menos deixará de explorar a natureza.

sábado, 14 de maio de 2011

MÍDIA PRESCRITIVA x SOCIOLINGUÍSTICA



Um livro da 6º série do ensino fundamental explica o seguinte conceito de sociolingüística:na variedade popular basta que a palavra 'os' esteja no plural. 
Exemplo;
"Os Livro ilustrado mais interessante estão emprestado"
Mas eu posso falar "os livro"? " Sim, mas dependendo da situação a pessoa corre o risco de ser vítima do preconceito linguístico".
            O livro defende que a língua portuguesa deve ser usada com o princípio de uso adequado, ou inadequado, pautado em uma visão de escola  democrática, e em momento nenhum o livro afirma que essa variante está de acordo com a norma culta. Apesar disso o jornal nacional de 13/05/2011 apresentou essa situação com imensa perplexidade, induzindo a população a pensar que o livro está  “errado”, não admitindo outro discurso se não o de domínio do português gramaticalmente correto e preciso.
         Quem oprime  não quer perder o seu domínio, já oprimido nem o sabe o quanto é oprimido, a mídia ao invés de apoiar a transformação da sociedade através da voz de quem não tem voz, faz justamente o contrário, isto é, reproduz o discurso que perpetua a desigualdade social e a segregação entre ricos e pobres.
            Na mesma edição do jornal à segunda reportagem aborda sobre a educação “transformadora”, uma reportagem com inúmeros clichês, usam uma citação de Piaget no inicio da matéria: “A principal meta  da educação é criar homens que sejam capazes de fazer coisas novas, não simplesmente repetir o que outras gerações já fizeram.” 
            Depois se contradiz ao inferir a organização de uma escola para obter resultado deve ser gerida tal qual uma empresa bem sucedida, e que as dificuldades da região da periferia de São Paulo onde se localiza a escola estão sendo superadas. O que na verdade está evidente na reportagem o papel da escola na formação de capital humano, ainda não é totalmente um modelo de educação assinalado pela afirmativa de Piaget, embora seus progressos sejam realmente dignos de admiração.
            Infelizmente o ranço maior da preocupação da mídia, com a educação, fica na reprodução sistemática das mesmas práticas de manutenção da mesma ordem social. O tom elitizado, da linha editorial dos telejornais, em contrapartida a própria grade televisiva que não possui programas de qualidade, e com isso massificam e deterioram o pensamento popular.