sábado, 14 de maio de 2011

MÍDIA PRESCRITIVA x SOCIOLINGUÍSTICA



Um livro da 6º série do ensino fundamental explica o seguinte conceito de sociolingüística:na variedade popular basta que a palavra 'os' esteja no plural. 
Exemplo;
"Os Livro ilustrado mais interessante estão emprestado"
Mas eu posso falar "os livro"? " Sim, mas dependendo da situação a pessoa corre o risco de ser vítima do preconceito linguístico".
            O livro defende que a língua portuguesa deve ser usada com o princípio de uso adequado, ou inadequado, pautado em uma visão de escola  democrática, e em momento nenhum o livro afirma que essa variante está de acordo com a norma culta. Apesar disso o jornal nacional de 13/05/2011 apresentou essa situação com imensa perplexidade, induzindo a população a pensar que o livro está  “errado”, não admitindo outro discurso se não o de domínio do português gramaticalmente correto e preciso.
         Quem oprime  não quer perder o seu domínio, já oprimido nem o sabe o quanto é oprimido, a mídia ao invés de apoiar a transformação da sociedade através da voz de quem não tem voz, faz justamente o contrário, isto é, reproduz o discurso que perpetua a desigualdade social e a segregação entre ricos e pobres.
            Na mesma edição do jornal à segunda reportagem aborda sobre a educação “transformadora”, uma reportagem com inúmeros clichês, usam uma citação de Piaget no inicio da matéria: “A principal meta  da educação é criar homens que sejam capazes de fazer coisas novas, não simplesmente repetir o que outras gerações já fizeram.” 
            Depois se contradiz ao inferir a organização de uma escola para obter resultado deve ser gerida tal qual uma empresa bem sucedida, e que as dificuldades da região da periferia de São Paulo onde se localiza a escola estão sendo superadas. O que na verdade está evidente na reportagem o papel da escola na formação de capital humano, ainda não é totalmente um modelo de educação assinalado pela afirmativa de Piaget, embora seus progressos sejam realmente dignos de admiração.
            Infelizmente o ranço maior da preocupação da mídia, com a educação, fica na reprodução sistemática das mesmas práticas de manutenção da mesma ordem social. O tom elitizado, da linha editorial dos telejornais, em contrapartida a própria grade televisiva que não possui programas de qualidade, e com isso massificam e deterioram o pensamento popular. 



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